segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Retrospectiva 2010


















Quem sabe, em anos longínquos, escafandristas descobrirão inusitados vestígios do ano de 2010, e perceberão que esse foi o ano da esperança. Enquadrado como o ano da consolidação com Lula e seus companheiros da centro-esquerda brasileira, o ano em que no Chile, 33 homens presos em um refúgio a quase 700 metros de profundidade foram salvos por meio do esforço conjunto de várias nações. Mobilização que transcendeu fronteiras e velhos preconceitos. Também foi o ano em estancou-se a poderosa retórica do combativo José Saramago, que nos ensinou que ainda é possível sonhar com uma sociedade mais equânime e solidária. Além das sempre recorrentes disputas políticas, tiveram lugar uma eleição que fortaleceu e ampliou a democracia brasileira com a eleição da primeira mulher (Dilma Rousseff) ao cargo de chefe do executivo. Foram meses também em que graves crises e protestos estouraram em todo o mundo. Grécia, Irlanda e Portugal evidenciaram as fragilidades e contradições ainda existentes na Zona do Euro. Manifestantes expuserem às autoridades a força do engajamento e do ativismo em passeatas repletas de revolta e ousadia com a elite econômica e política de seus países.  O terremoto que devastou o Haiti, e o posterior surto de cólera, fragilizou ainda mais o país mais carente das Américas. A influência crescente do ideal integracionista fortaleceu-se no continente. Fato que vêm impulsionando líderes de esquerda como Hugo Chávez na Venezuela, Evo Morales na Bolívia e Rafael Correa no Equador, notadamente admiradores do Estado intervencionista e antiimperialista organizado pelos irmãos Raúl e Fidel Castro, em Cuba a partir de 1959. Mesmo nesse clima de inevitável confronto ideológico, 2010 provavelmente será lembrado como o ano em que surgiram inebriantes focos de esperança. A série de publicações realizadas pelo fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, contribuirão para a revalorização e maior discussão à cerca da necessidade de existir uma maior transparência e um diálogo mais amplo entre governos e cidadãos. Além disso, a brilhante invasão do Complexo do Alemão e desmantelamento de parte do crime organizado do Rio de Janeiro intensificou e melhorou a convivência entre os moradores das comunidades atingidas e os policiais civis e militares. 
Talvez sejamos lembrados no futuro como as pessoas que iniciaram a construção de uma sociedade fundada mais no diálogo e na diplomacia do que no poder de canhões, os que primeiro se levantaram e gritaram contra as enormes injustiças e disparidades existentes. Talvez o maior desafio restante seja ainda a insolúvel disputa entre crescimento econômico e desenvolvimento sustentável - e a sua relação direta com a ocorrência de graves distúrbios ambientais ao redor do planeta. Apesar de não antagônicos, a busca por taxas exorbitantes de crescimento de vários países em desenvolvimento aceleraram e intensificaram uma vertiginosa degradação do meio ambiente nessas nações. Em 2010, as frágeis relações entre os países subdesenvolvidos e as nações ricas culminaram em confrontos em que ficaram explícitas as fragilidades do ainda tímido diálogo. Questões importantes como o excessivo protecionismo e a erradicação de subsídios nos países desenvolvidos não foram discutidas, assim como as possíveis e necessárias soluções para a diminuição das emissões dos Gases do Efeito Estufa (GEE’s) emaranharam-se nas turbulentas discussões entre o Norte e o Sul do globo. Terá sido 2010, “o ano que nunca acabou”?


(Edson de Sousa)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Meninos-homens [tributo aos solitários que têm a calçada imunda por sepultura]






“Vestidos de farrapos, sujos, semi-esfomeados, agressivos, soltando palavrões e fumando pontas de cigarros, eram em verdade, os donos da cidade, os que a conheciam totalmente, os que totalmente a amavam, os seus poetas.”
Capitães da Areia [Jorge Amado]

           
O brilho daquela noite destoava imensamente com a figura do menino esfarrapado e sujo, que a luz da lua insistia em não ocultar. Como que um tributo ao sofrimento daquele menino-homem, uma bela lua cheia reverberava pela imensidão da noite. Temeroso de ser encontrado embrenhara-se naquela beira de estrada. Temeroso de ser encontrado. Provavelmente ninguém o procurava, e a cada momento isso o angustiava cada vez mais. Em cada instante de fome, de frio ou de cansaço esse pensamento retornava a sua cabeça. E retornava como reflexões incrivelmente profundas para um garoto. Realmente não era mais um menino. A barba singela incrustada em seu queixo denunciava os muitos anos sofridos nas ruas. Em princípio contava os dias, mas a operação se tornou dispensável com o acúmulo invariável de dias todos iguais. Iguais em descaso, iguais em sofrimento, iguais em ausência e principalmente, iguais a de outros tantos meninos de rua. Mas o longínquo período habitando vielas insalubres contribuiu para o seu rápido amadurecimento, os ambientes inadequados o compeliam a um rápido envelhecimento. Com toda a certeza, o seu rosto não era um dos mais requisitados para as luxuosas propagandas de cosméticos. Alias o seu rosto enegrecido pelo sol do sul dos trópicos não são os melhores indicadores de que algum dia ele tenha se aproximado de um sabão neutro ou de um creme-hidratante, palavras que ouvira dizer em uma conversa entre duas madames da parte alta da cidade, palavras que obviamente não lhe expressavam nada. É como se fosse invisível ao restante das pessoas. Mas todos são iguais perante Deus, palavras usadas por um pároco que escutara uma vez no reformatório. Mas por que então todo aquele ódio, todo aquele desprezo, aquela completa e irreversível falta de consideração. A sua cabeça não entendia essas coisas. Ele talvez só fosse um menino grande. Um menino forte, apesar do extremo sofrimento e dos continuados descasos do Estado. Um menino que na mais tenra idade já sofria devido à extrema pobreza. Um menino-homem que compreendeu que a causa de seus problemas é a profunda desigualdade existente. 
Um sobrevivente das ruas. Um sobrevivente que como outros tantos milhares ainda encontram-se despojados das necessidades mais básicas, negligenciado por aqueles que deveriam defendê-lo. Esquecidos e achincalhados por um sistema corrupto e irracional que não proporciona  condições dignas aos futuros cidadãos. A sua cabeça agora zunia, deixando seus pensamentos confusos e desconexos. A miséria e a longa vida de indigente cobravam seu preço. Com a saúde muito frágil eram constantes aqueles mal-estares, talvez tudo isso não passasse de mais um triste delírio. Um dia acordaria e não seria preciso furtar, nem se esconder. Talvez um dia a sociedade garantisse alimento a todas as pessoas. Sonhos ainda muito distantes para a sua realidade. Seu corpo agora aparentava como a de um faminto que ele era, os seus músculos fraquejavam em tentativas inglórias de se movimentarem. A fome e a carestia silenciosamente estavam finalmente conseguindo submetê-lo a seu jugo. Gargalhadas soaram ao fundo. Devia ser outros garotos rindo das lágrimas que agora já escorriam em seu rosto. O ridículo da situação era que o menino sujo e esfarrapado havia entendido a brevidade da vida. A noite ensolarada ia se fechando paralelamente a seus olhos. Finalmente a liberdade prevalecia à opressão. Libertava-se de um corpo que já lhe havia oprimido imensamente. Chuvas e raios e trovões surgiam ao horizonte. Astros e estrelas observavam perplexos os suspiros finais de um homem. Agora se tornara verdadeiramente um homem. Um homem consciente de sua brevidade, ciente da imensa injustiça em se existirem meninos de rua. Calmamente a natureza oferecia as derradeiras honrarias ao padecimento dos solitários que têm a calçada imunda por sepultura.

(Edson de Sousa)





sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Linhas


"Que é a nossa vida senão um entrelaçar de fios
que se unem ao movimento de nossas escolhas?"
Heva Freitas



autoria da imagem: rainbowsky





Se o destino existe, por que temos que fazer tantas escolhas?

Quando tudo o que queremos é apenas ver a resposta para nossos problemas fechamos os olhos e deixamos a mente vagar, aparece algo mais, outra decisão. E se nada mais parece faltar e as coisas se encaixam a inércia não funciona e logo elas se retorcem. Logo vem outra escolha.

O pior não é a dúvida de tentar descobrir o rumo a ser tomado, mas a cima de tudo o que é mais angustiante é saber que algo vai desaparecer. Imaginar sua vida em cada passo tomado, pesar e medir conseqüências, saber que no fim vai ter que abrir de um dos lados, mesmo quando é sua vida, ou a Coisa mais importante dela.

Dizem que não se pode ter tudo, mas também que pra qualquer coisa existe uma solução, uma conciliação. É nesse ponto que o medo de tomar decisões nos prende em situações insustentáveis e tentamos ir pelo caminho do meio assim sempre nos machucando.

Nunca podemos ter o melhor de tudo, nem fazer todos felizes. Só podemos esperar que a decisão advenha de pensamentos firmes e até prolixos, mas nunca impulsivos. Essa é uma época de decisões e embora tentemos sempre fazer o que achamos se bom pra todos nem sempre é assim, e só podemos torcer para que os que nos amam, saibam reconhecer a nossa aflição em decidir e apenas continuar nos amando independentemente de qualquer caminho tomado e ficarem felizes por nos ver bem.

E no fim, vamos ter certeza apenas de que nossas alternativas nunca acabam, basta que estejamos dispostos a mais decisões. Continuar mudando, decidindo, amando.




Nathália Sousa

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Fora pelo vestibular

Algum desavisado leitor que porventura tenha acessado essa página nessas últimas semanas, deve ter notado que está largada às moscas, devido ao vestibular. O 'devorador de homens' no máximo, ou 'a prova do ano', no mínimo...

Estaremos de volta em breve. Evito qualquer consideração sobre ele, seria mais uma opinião no meio de centenas já ouvidas.

Para todos os que prestarão (a maioria de nossos seguidores), boa sorte.
Estamos todos no mesmo barco.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desabafo de um estudante brasileiro

Escrevo sobre esse ignóbil tema muito mais como um estudante louco para desabafar sobre o sistema de ensino que o rege do que um pseudo-entendido no assunto. Chorar o sistema que força os jovens brasileiros a optar entre uma educação particular massacrante e cara, pautada no nome da instituição de ensino, à frente do interesse de qualquer aluno e a ridícula educação pública, de seus professores mal-remunerados, escolas caindo aos pedaços e desprezo total aos alunos (coitadas das pobres mentes brilhantes que ainda se arriscam a nascer nesse tipo de campo).

E por que estamos assim? Porque nosso governo prefere pagar mensalidades para manter os alunos na rede pública de ensino, mas não se preocupa com o tipo de escolas que eles encontrarão. Ah, mas educar é formar opinião crítica, maior temor de políticos que almejam se manter no poder. É preferível manter a população brasileira não como povo, mas como público dos desmandos dos chefões, assistindo bestializados à volta de nomes como Antonio Palocci, Renan Calheiros, José Sarney, Paulo Maluf, dentre outros.

Mas de vez em quando o governo resolve parecer competente e ativo, então lança uma ideia para tentar maquiar a falta de investimentos na educação pública, fazendo uma prova que lhes faça sentir melhor frente aos demais alunos. Mas como vivemos num país onde uma mesada é mais importante que um ensino de qualidade, só poderia dar errado. Eis que após tanta expectativa e propaganda do governo, o exame é cancelado. Se vai voltar ou não, pouco importa, a bagunça está feita e não é uma prova, ainda que valha a entrada em certas faculdades, vai resolver de uma hora pra outra. O senhor Sarney não deve gostar da ideia de ver, do alto de sua cadeira de presidente do senado, o povo criar opinião, portanto é melhor maquiar esse problema com uma prova que não cria opiniões. Afinal, feijão tropeiro, 'monabean' e pilhas de níquel são bem instrutivos...

Enquanto não houverem investimentos na educação brasileira, com melhorias na educação pública e nos processos seletivos, continuaremos a ser massa de manobra. Os estudantes, outrora o motor da nação, viraram meros espectadores na mão dos interesses políticos.

(Pedro Forti, assumindo os riscos das futuras críticas a receber)

sábado, 6 de novembro de 2010

Voz Íntima

Fecha-te, sofredor, na alva túnica ondeante
Dos sonhos! E caminha, e prossegue, embebido,
Muito embora, na dor de um fiei celebrante
De um estranho ritual desdenhado e esquecido!
Deixa ressoar em torno o bárbaro alarido,
Deixa que voe o pó da terra em torno... Adiante!
Vai tu só, calmo e bom, calmo e triste, envolvido
Nessa túnica ideal de sonhos, alvejante.

Sê, nesta escuridão do mundo, o paradigma
De um desolado espectro, uma sombra, um enigma,
Perpassando sem ruído a caminho do Além.

E só deixes na terra uma reminiscência:
A de alguém que assistiu à luta da existência,
Triste e só, sem fazer nenhum mal a ninguém.

(Singela homenagem aos 135 anos do nascimento de Amadeu Amaral, poeta capivariano)

Uma postagem sem política

Para os erros há perdão
Para os fracassos, chance
Para os amores impossíveis, tempo...
Não deixe que a saudade sufoque,
Que a rotina acomode,
Que o medo impeça de tentar.
Desconfie do destino e
Acredite em você.
Gaste mais horas realizando, que sonhando,
Fazendo que planejando,
Vivendo que esperando
Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
Quem quase vive já morreu.
... Procure os seus caminhos
Mas não magoe ninguém nessa procura
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz
Revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças
Mas não deixe que ele se afogue nelas
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o

Clarice Lispector

Democracia circense

Mafalda anda tendo motivos demais pra rir-se ultimamente...
De que adianta o poder para o povo, se o que temos é um público?

domingo, 31 de outubro de 2010

O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NAS URNAS?



O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NAS URNAS?

O aborto ou os 70 bilhões de barris do pré-sal; uns seis trilhões de dólares; o maior impulso industrializante do país desde Vargas? Quais valores estão em jogo, esses, confirmados hoje nos 15 bilhões de barris, só no poço de Libra, ou os da água benta falsa de Serra? Se prevalecer o modelo tucano de exploração, o pré-sal vira remessa de lucros e exportação de óleo bruto nas mãos das petroleiras internacionais. Perde-se seu efeito multiplicador numa cadeia de suprimento industrial da ordem de 55 mil itens, desde plataformas e navios, a válvulas, aço e parafusos. Porém mais que isso, perder-se-ia a chance histórica deste país eliminar a miséria e abrir uma avenida de ampla convergência de oportunidades e direitos para as gerações do presente e do futuro. Qual é a discussão mais relevante? É essa, por isso não sai no Jornal.
(Carta Maior; 31-10)

(Edson de Sousa)

sábado, 30 de outubro de 2010

Pequeno Manifesto

Cansei de ouvir o velho discurso de quem afirma amar unicamente o dinheiro, e nada mais, relegando os demais de sua espécie ao segundo plano. Repletos de sua arrogância esquecem que há seres humanos do outro lado da moeda. Por culpa destes fundamentalistas do capital, é que milhões vivem abaixo da linha da miséria. Por que não há ninguém para pensar por eles, já que os que ganham algum dinheiro que os destaca na sociedade dedicam-se apenas a esse vício, orgulhosos por serem ‘quase ricos’. Quero ver o que farão após a morte, quando o montante que juntaram em vida com tanto apego se esfacelar. Onde está a solidariedade mecânica de Durkheim? Enquanto houver gente que não desça de seu orgulho financeiro, haverá miseráveis no mundo, afinal é disso que vive o capitalismo atual. Não que ele esteja errado, mas nada é bom quando levado tão ao extremo. É preciso que se dose amor ao lucro com algum pingo de humanidade, ou até que ponto chegaremos, onde cada um viverá por si mesmo e por seu dinheiro?

Que não se ligue, porém, o que digo a comunismo, nem o uso do term'manifesto'

(Pedro Forti) , de volta depois de um período de preguiça e manguaça muita contemplação, na busca de um tema bom. Não obteve tanto sucesso...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Retas Paralelas



Simplesmente não posso definir o que é o amor. Se soubesse explicar o que sinto, não a amaria, pois “o amor foge de todas as explicações possíveis”. Simplesmente não posso viver sem o seu amor. Sem você, simplesmente existo. Não me importo em ser um escritor desconhecido, um profissional desqualificado, um filho bastardo, temo simplesmente ter me tornado um amante fracassado. Já chorei por sua ausência, mas o pranto que mais me dói, é saber que “lágrimas não são argumentos”. Suportei a vida sem conforto, o trabalho sem descanso, a escrita sem poesia. Lutei por causas perdidas, critiquei a sociedade de classes, segui aos confins da terra o sonho de liberdade. Sobrevivi. Apenas para construir um jardim, onde nosso amor pudesse florescer. Sobrevivi. Apenas para eternizar nossa paixão. Sobrevivi. Apenas para ouvir sua voz doce, cheia de palavras a mim amargas.                                                  
Não peço que me ame por compaixão. “É inútil obter por piedade aquilo que desejamos por amor.” Peço apenas que não sofra. Que ao ver o meu cadáver frio, saiba que um dia, dentro dele batia um coração ardente, cadenciado pelos seus passos. Desejo a mais pura felicidade a você, a mesma felicidade que usufrui nos momentos a seu lado, e nas agora distantes lembranças se sua face. Chore, grite, brigue, vibre, lute, morra, mas nunca fique sem expressar os seus sentimentos, por mais ridículos e incompreensíveis que possam parecer. Provavelmente os mais belos poemas não existiriam, se os grandes escritores não ousassem falar do ridículo ou escrever sobre o incompreensível.                                                                       
Espero que tenha amigos. Verdadeiros ou não. Valorize os que enxugam as suas lágrimas antes que o reverberar do Sol as seque. Espero que tenha sonhos. Impossíveis ou não. Valorize os mais difíceis, são estes que levam a grandes conquistas. Espero que tenha grandes amores. Duradouros ou não. Pois eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica, ecoando na eternidade. Busque se lembrar de mim. Simples e verdadeiramente. Ao olhar o por do Sol, lembre-se que eu viveria sem a luz do Sol, mas morreria sem o brilho do seu sorriso. Ao ver uma criança, se lembre da inocência juvenil com que conquistei sua amizade. Ao ler um poema de amor, saiba que você foi a musa inspiradora das rimas de minha vida, autora dos versos mais bonitos.                      
Nossos caminhos se desvencilham aqui. Mas assim sempre foi. Nossos destinos são como duas linhas paralelas, que de tão próximas, chegam a bailar num mesmo ritmo. Dançarinos que não ousam se tocar. Retas paralelas. Quem sabe elas não se encontram no infinito?
(Edson de Sousa)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Chorar faz bem

Imagine que as lágrimas são soluções híperconcentradas de sentimentos. Existem dois tipos de lágrima que são mais fáceis de se definir e dizer do que são compostas. O primeiro tipo é muito mais comum do que se imagina, esta lágrima é composta de sentimentos ruins. Junto um pouco de ódio em uma parte do seu coração, adicione ao longo do dia ressentimentos guardados de pessoas que te magoam e as preocupações da sua vida. Misture com um pouco de sofrimento, polvilhe alguns pedaços de angústia e ansiedade. Junte o que já foi preparado e misture com a saudade que você tem dos tempos que não tinha preocupações. Bata tudo no seu coração misturando com os amores que você perdeu e uma pitada de medo. Inconscientemente já foram misturados à suas lágrimas todos as negações que você recebeu e todas as cenas ruins da sua vida. Finalmente suas lágrimas estão prontas, as lágrimas ruins. Você não pode guardar com você essa mistura por muito tempo, ela faz muito mal para sua saúde, seus efeitos nocivos vão desde a agonia passando pelo desespero, chegando ao ódio e podendo até causar depressão! Por isso você tem que colocar isso tudo para fora! Não tenha vergonha, coloque para fora tudo o que te deixa mal, se possível, consiga um ombro amigo e fica melhor ainda para desabafar! Chorar faz bem! Estudos recentes não comprovam nada disso mas eu garanto que se você chorar em um daqueles momentos que te corroem, você melhora!
Agora o outro tipo de lágrima é aquela que vem quando você está alegre, aquela que você chora quando encontra uma pessoa querida, quando você finalmente consegue atingir aquele objetivo que parecia estar tão distante, quando ouve aquela música que te faz lembrar todas as coisas boas da vida, essas lágrimas são as melhores, nos deixam ainda mais leve e tranquilo...
Muitas vezes as lágrimas são vistas como sinal de fraqueza e podem até parecer um leve sinal, mas quando elas vão embora, levam junto tudo aquilo que fazia mal e te angustiava e quando você percebe já está mais forte do que aquele que te chamou de fraco.
Mas tome cuidado, toda terapia deve ser feita com moderação! Por mais que as lágrimas curem algumas feridas, se não forem controladas elas podem abrir outras ainda maiores e piorarem sua situação! Não abuse delas, se estiver muito triste chore umas 3 vezes debaixo do chuveiro, esmurre uma parede, e bola pra frente! Outra observação a ser feita é que o uso das lágrima deve ser acompanhado de bons amigos ao seu lado para de darem todo o apoio necessário, juntamente com as coisas que você gosta de fazer e pronto! Você está curado daquilo que te fez mal e se as causas das suas lágrimas forem a segunda você está fazendo um bem ao compartilhar a felicidade que você sentiu ao ver aquela pessoa e certamente, ela também ficará feliz!
E para finalizar digo novamente, não abuse das lágrimas!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nota de resposta de Leonel de Moura Brizola



Nota de resposta transmitida durante o Jornal Nacional (Organizações Globo), de Leonel de Moura Brizola, político brasileiro lançado ainda por Getúlio Vargas, lutou contra a ditadura militar no Brasil desde seu inicio, sendo por isso exilado e cassados seus direitos políticos no Brasil. Ao retornar exerceu vários cargos públicos, tendo sido a única pessoa a exercer o cargo de governador em dois estados distintos no Brasil (Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro). Sua retórica era inflamada, não perdendo nunca a oportunidade de criar caricaturas verbais de seus oponentes, como ao chamar Lula de "Sapo Barbudo". Era um orador carismático, capaz de provocar reações fortes entre partidários e adversários. Seu discurso era baseado em pontos como a valorização da educação pública (tão divulgada, mas ignorada sistematicamente pelos políticos) e a questão da "perdas internacionais" (pagamento de encargos da dívida externa e envio de lucros ao exterior).

O vídeo é um recado-desabafo direto e inflexível de um dos maiores mitos da esquerda brasileira, sendo que sua influência perdurou por mais de 50 anos no cenário político nacional e internacional. A elite conservadora e temerosa ainda se amedronta quando ouve o nome de um político tão polêmico e cativante quanto o inenarrável Leonel Brizola.

(Edson de Sousa)

domingo, 17 de outubro de 2010

Buscando a verdade

A verdade como ato de liberdade, a verdade como atitude imaculada de enganos e percepções falhas, a verdade como algo universal e necessário, a verdade como conhecimento completo da essência real e profunda dos seres. Concepções distintas de um mesmo conceito. Intuímos que enquanto as opiniões variam de lugar para lugar, de época para época, de sociedade para sociedade, de pessoa para pessoa, a verdade estará escondida em algum recanto desconhecido e ainda inacessível, esperando que a encontremos, intacta e imutável, conhecimento eterno que acreditamos que invariavelmente será posse do intelecto humano.

Essa forma de enxergarmos a realidade nos é legada por um longo processo de construção da identidade humana, na qual o homem se comporta como o ápice da escala evolutiva ou como uma criatura criada à imagem e semelhança de seu criador, procurando em ambas as situações justificar a realidade como algo submisso a nossa vontade, como algo passível de ser entendido, compreendido e modificado pelo ser humano. Essas práticas só são possíveis porque acreditamos que o mundo existe da forma como os nossos sentidos o interpretam, que o mundo é tal como o percebemos e tal como nos ensinaram que ele é. Acreditamos que pode ser modificado ou conservado por nós; que é explicado pelas religiões e pelas ciências e que é representado pelas artes. Acreditamos que somos racionais, pois graças à linguagem, trocamos idéias e opiniões, sendo que a educação e os meios de comunicação garantem a conformidade de pensamentos muito semelhantes entre si.

É com essa visão restrita e limitada que buscamos a verdade. Esquecemos que os homens não evitam tanto ser enganados, evitando apenas serem prejudicados por esse engano. É num sentido semelhante e menos amplo que buscamos a verdade: ambicionamos as agradáveis conseqüências da verdade que conservam a vida; sendo indiferentes ao conhecimento puro, sem conseqüências, sentenciando até mesmo de modo hostil ás verdades talvez prejudiciais e hostis a nós.

Quantos filósofos, quantos juristas, quantos críticos, quantos descrentes, quantos céticos, quantos pensadores, quantos gênios nós não nos levantamos contra por propagarem e divulgarem verdades inconvenientes? Quantos dogmas, quantos preconceitos, quantas idéias preconcebidas aceitamos apenas para nos proteger das novidades, do inesperado, do desconhecido e de tudo que possa desequilibrar as nossas crenças e opiniões já constituídas? Até quando aceitaremos essas idéias que restringem o enorme potencial criativo e inovador do ser humano? Até quando nos vergaremos aos velhos dogmas e ao conservadorismo retrógado e elitista que nos impendem de novas descobertas, de novos pensamentos, de novos costumes, de novas idéias, apenas porque essas novas atitudes põem em perigo o já sabido, o já dito e o já feito? Até quando nossa espécie aceitará essa posição humilhante e tão contrária a sua natureza?

(Edson de Sousa)

A sopa de Marx

Sem ofensas ao grande pensador...
Afinal, qual seria o sentido de um sistema sem algo pra contestá-lo?

sábado, 16 de outubro de 2010

Soneto de Infelicidade

De tudo ao meu amor fui eu atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Porém, morto com isso o encanto
Pois para ela, só aborrecimento

Vivi-o intenso a cada vão momento
Mas com isso, o amor nela suplanto
Foi-se embora, e derramei meu pranto
Por que ninguém inventa amor num momento
E assim, rezo pra que ainda me procure
Para que de meus afagos eu te prive
Quem sabe assim reacendo a chama

Direi então assim dos amores (que quase tive) :
Que todos se foram, hoje é só cama
Perderam se no infinito, e que assim dure

(Anônimo)

Indicador de desemprego

As pessoas acreditam que o indicador de desemprego é influente, imagina quando descobrirem o poder da palavra escrita pelo indicador.

(Edson de Sousa)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Amanhã vai ser outro dia!


Não são os homens, mas as idéias que brigam
Debates acirrados, disputas partidárias, comícios, passeatas, críticas caluniosas, alianças esdrúxulas e propagandas tendenciosas. Muitas vezes ficamos tão aficionados pela velha rixa de antigos desafetos políticos, anestesiados pela sutil propaganda usada por partidos antagônicos, que não percebemos a inexistência de propostas políticas coerentes e originais dos candidatos. Influenciados e manipulados por uma mídia que padroniza comportamentos e idéias, quase não se discute a ausência de propostas inovadoras no discurso eleitoral, quase não se discute a inexistência de partidos com uma base ideológico-partidária clara e distinta, evidência flagrante da tentativa de legendas que tentam apenas angariar votos do eleitor indeciso ou desinformado.
A renovação de idéias, de propostas e de crenças é fator necessário e indispensável a um sistema democrático. Mas na medida em que partidos e candidatos tornam-se cada vez mais similares o eleitor não consegue discernir projetos políticos interessantes para o país. Legendas que a todo instante mudam sua base ideológica, legendas que a cada novo processo eleitoral fazem alianças com inimigos históricos, partidos que não passam de um aglomerado de idéias difusas e retrógadas não podem mais ser aceitos no cenário político brasileiro. Não importa se o eleitor vota em um candidato de esquerda ou de direita, num radical marxista ou em um democrata cristão. Importando apenas que o cidadão ao exercer o seu voto consiga perceber as nuances de cada projeto, claramente delineados e definidos por candidatos e partidos.
Questões como o aborto, a união civil entre conjugues de mesmo sexo, a adoção de crianças por casais de parceiros de mesmo sexo, a permanência do sistema de cotas, o aprofundamento da reforma agrária, a transposição do rio São Francisco, a revisão e a ampliação de programas sociais como o bolsa família e o Prouni, as controvertidas privatizações e as reformas do sistema tributário, político, financeiro e educacional, além do combate as carestias do nordeste e a devastação do bioma amazônico, o desemprego estrutural causado pela intensa mecanização do campo e conseqüente inchaço das metrópoles, a política internacional e a intensificação do combate a extrema desigualdade existente no Brasil são temas quase inexplorados por partidos e candidatos. Infere-se daí duas atitudes que não mais podem ser desconsideradas pela população brasileira, ou os estadistas não possuem interesse por esses temas, e estão pleiteando cargos públicos apenas por motivações pessoais escusas, ou não possuem a capacidade conciliatória necessária para discorrer sobre temas controvertidos, não possuindo as qualidades necessárias para exercerem os cargos a que postulam.
A discussão à cerca de temas polêmicos e a delimitação de posicionamentos ideológicos claros e definidos, são uma evidência indiscutível de fortalecimento e consolidação de um sistema democrático que infelizmente ainda não é comumente utilizado no ambiente político brasileiro.
"Um político pensa na próxima eleição; um estadista, na próxima geração."
(James Clarke)

(Edson de Sousa)

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ocultação de cadáver


Seja um idiota

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.

Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!


Arnaldo Jabor

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Não se pode equacionar o sofrimento humano

Da mesma forma que não vejo sentido em enaltecer meros graduados que escondem suas muitas inseguranças por detrás de um frígido diploma empoeirado, não acredito em legisladores que adotam programas governamentais baseados exclusivamente em números raquíticos, resguardados por gráficos e tabelas insensíveis que distanciam os representantes políticos da real situação vivida pela população.
Causa primordial do descaso do poder público, a distância que se interpõem entre os vários níveis da sociedade acaba gerando aberrações como o surgimento de representantes políticos que se esquecem que a meta de qualquer governo é garantir a felicidade do povo. Direitos como o acesso a saúde, educação, moradia, transporte e segurança funcionam apenas como expressão de garantias legais que evidenciam a existência de uma sociedade saudável e próspera.
Grandes líderes ao longo da história, independente da ideologia defendida, sempre defenderam reformas que vão muito além da melhora de impessoais indicadores sócio-econômicos. Não se pode equacionar o sofrimento humano. A morte de milhares de pessoas não pode ser visto apenas como uma estatística. Miséria, fome, inanição, desemprego e exclusão são realidades muito duras para serem balanceadas e analisadas por meros economistas. Situa-se ai a diferença do grande estadista. A tragédia individual ou a catástrofe coletiva o emocionam profundamente. Sensibiliza-se não como o cientista que disseca a um cadáver, relacionando-se com a população mais como o obstetra que vê surgir gradativamente uma nova vida, a sociedade como extensão de um ser vivo em constante transformação. Rascunho mal-feito em permanente processo de revisão.

(Edson de Sousa)

sábado, 9 de outubro de 2010

Desmistificando a mídia


Quantitativamente a real participação da mídia na formação de opinião ainda é um dado intangível e de difícil previsão. Não se sabe ao certo o quanto os meios de comunicação influenciam na formação de uma consciência coletiva de determinada população. Como reflexo dos anseios da sociedade ou como veiculo manipulador de informação, o tema ainda permanece obscurecido por diversas correntes de pensamento difusas e antagônicas.
Fugindo de aprofundamentos teóricos desnecessários existem basicamente duas correntes que abordam a mídia como tema de estudo. Os que criticam, criaram a nomenclatura de “industria cultural”, pois segundo essa corrente os meios de comunicação de massa (MCM) atuam sobre o inconsciente do público reduzindo os telespectadores a formas de comportamento sujeitas ao conformismo e à dominação, contribuindo para a formação de indivíduos consumistas e tipicamente alienados. Enquanto que os favoráveis expõem o potencial formativo dos MCM, ao divulgar informações e incentivar a difusão de conhecimento, assumindo, assim, um importante papel na formação cultural do público.
 Diante da visão pessimista e nostálgica apresentada acima, Umberto Eco (1979) desenvolve uma teoria paralela que expõe as visões dos críticos da indústria cultural (denominados por ele como “apocalípticos”) e dos defensores dos meios de massa (chamados de “integrados”). Para Eco, os meios de comunicação de massa não são bons ou maus em si, suas conseqüências dependem dos usos que são dados pela sociedade.
No entanto várias teorias convergem no fato de que a mídia ao se tornar uma propriedade privada - controlada por uma elite restrita -, passa a ter o seu compromisso com a divulgação de informação de qualidade e de forma imparcial comprometida. As bases da atividade jornalística passam a ter  seus alicerces deteriorados pela busca incessante pelo lucro, derrubando governos, criando ídolos e ratificando costumes e maneiras padronizadas de se interpretar a realidade .
            Não tornar-se um público passivo e conformista é talvez um dos maiores desafios de nossa geração, vulnerável as técnicas de marketing e propaganda cada vez mais avançadas e sutis. Torna-se quase uma missão histórica a tomada de consciência da exploração e da manipulação que muitas vezes a população se vê sujeitada.

"Um povo ignorante é o instrumento cego de sua própria destruição". (Simon Bolívar)

(Edson de Sousa)

Liberdade de pensamento?


Já não é hora de nos libertarmos de nossos tão familiares (Pré)conceitos?

(Edson de Sousa)

Poeminha para refletir...

ilusões


suor e sangue
que escorrem do rosto da miserável
mais uma
vez no sertão

mas ela não chora mais

porque sabe que a feli
cidade cabe dentro
da bolsa

porque sabe que a copa
vem logo pro Brasil
assim como no tricampeonato

porque seu novo candidato ao
governo lhe prometeu
uma casa nova

''Meu Deus, eu não mereço tanta felicidade"

(Pedro Forti)


Ideias para entendimento (atendendo a pedidos) :
Tentei relacionar esse poema às políticas de auxílio do governo Lula, que maquiam a verdadeira realidade de sofrimento da faixa de população miserável, em especial a nordestina.
Ao colocar o miserável como feminino, destaco que o sofrimento não se limita apenas ao trabalhador braçal, e sim a todos que se encontram naquela situação
Usei-o também para criar o jogo ''miserável - mais uma'' , dando uma noção da quantidade de pessoas que se encontram na miséria
A partir daí, enumerei as maquilagens que proporcionam ao governo sua grande aceitação:
Bolsa Família - Uma mesada sem nenhum controle, tida como a tábua de salvação pelo governo e utilizada no convencimento da população de que o governo se empenha em melhorar a situação dos miseráveis, quando na verdade apenas quer ''comprar a felicidade'' ou ''as cidades'' (por isso da palavra separada ao meio)
Copa do Mundo - Usada para destacar a ideia de grandeza do país, criada pelo governo, atrelando ao mesmo processo desempenhado pela ditadura militar durante o governo Médici, onde o tricampeonato e a conquista da Taça Jules Rimet em definitivo para o Brasil em 1970 foram utilizados para o mesmo fim. A charge de Ziraldo ratifica a minha ideia:


E por fim, o jogo político notável nessas eleições onde o melhor candidato é aquele que promete benefícios aos mais carentes em troca de votos, muito embora esses benefícios dificilmente serão recebidos por eles.
A frase final sintetiza a ilusão dos mais pobres: Que são felizes, pois o governo assim proporcionou.
Ledo engano.


Fica a reflexão... Bom feriado de semana a todos!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Chispas Literárias

Valsa Triste

De repente, os próximos se fizeram distantes.
“O tempo passa, e o conto da vida se acaba, sem nós nos darmos conta.”
Amantes transformados em movimento descompassado,
Ouvintes decepcionados com a canção incapaz de emocioná-los.
Enquanto a melodia não for sigilo, o espetáculo do infinito amor continua.
Enquanto o ritmo não sabotar o dançarino, a Valsa Triste continua.

(Edson de Sousa)

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?


Ferreira Gullar

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A (des)evolução humana, na voz de Pearl Jam

Estava eu, um belo dia, no meu ócio produtivo. Entorpecendo minha mente com algumas músicas na televisão quando me deparo com um turbilhão de imagens e signos acompanhados de uma profusão de vozes, que tentavam passar-me várias lições. Lições sobre o caminho que a humanidade trilhou e vem trilhando, na sua desevolução financiada, como sempre, pelo setor controlador. Termina com um emblemático ''2010, veja pegando fogo'', 12 anos antes do ano presente (1998), fazendo múltiplas previsões numa emblemática frase.
Se Marx estivesse vivo e tivesse contato com o video, talvez diria: ''hoje, a sociedade é o ópio dos povos'' , onde sociedade e povo assumem significados distintos, pois não são conjuntos simétricos. Deixe que o video lhe proporcione tirar suas próprias conclusões. Abaixo dele, estão a letra e sua tradução.
video
Do The Evolution (Versão original em inglês)
I'm ahead, i'm the man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in god i trust, yeah
it's evolution, baby

I'm a beast, I'm the man
having stocks on the day of the crash, yeah
on the loose, I'm a truck
all the rolling hills I'll flatten them out, yeah
it's herd behavior, uh huh
it's evolution, baby

Admire me, admire my home
admire my son, he's my clone
yeah, yeah, yeah, yeah
this land is mine, this land is free
I'll live how I want yet irresponsibly
it's evolution, baby

I'm a thief, I'm a liar
there's my church
I sing in the choir:
hallelujah, hallelujah

Admire me, admire my home
admire my song, admire my clothes
'Cause we know appetite for a nightly feast
those ignorant indians got nothing on me
nothing, why?
because, it's evolution, baby!

I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the Earth, but now I'm higher
twenty-ten, watch it go to fire
it's evolution, baby
it's evolution baby
do the evolution
come on
come on, come on... (até o fim)

Faça a evolução (versão traduzida para o Português)

Eu estou à frente, eu sou o homem
Eu sou o primeiro mamífero a vestir calças, yeah
Eu estou em paz com minha luxúria
Eu posso matar porque em Deus eu confio, yeah
Isto é evolução, baby

Eu sou uma besta, eu sou o homem
Tinha ações no dia em que a Bolsa quebrou, yeah
Livre, eu sou um caminhão
Todas as colinas rolantes eu as aplanarei, yeah
É um comportamento em rebanho Uh-huh
Isto é evolução, baby

Me admire, admire minha casa
Admire meu filho, ele é meu clone
yeah, yeah, yeah, yeah
Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu farei o que quiser embora irresponsavelmente
Isto é evolução, baby

Eu sou um ladrão, eu sou um mentiroso
Aqui é minha igreja
eu canto no coro (interlúdio do coro: Aleluia)
Aleluia, aleluia

Me admire, admire minha casa
Admire minha canção, admire minhas roupas
Pois nós conhecemos o apetite para um banquete noturno,
A esses índios ignorantes não devo nada,
Nada, Por quê?
Porque: isto é evolução, baby!

Eu estou à frente, eu sou desenvolvido
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos
Eu rastejei na terra, agora voo pelos céus
2010, veja pegando fogo!
isto é evolução, baby {2x}
Faça a evolução
Vamos, vamos, vamos...


Algo a concluir?

Pedro Forti


Discussão política


Discutir política no Brasil sempre é complicado...

(Edson de Sousa)

Ideias Avulsas (Prefácio)

"Se procurar bem você acaba encontrando... Não a explicação (duvidosa), mas a poesia (inexplicável) da vida."
(C. D. de Andrade)

        Sons, ritmos, significados. Músicas sussurradas ao ouvido do surdo, versos expostos aos olhos do cego. Tudo unido e misturado, saturado e amplificado pela audácia de um (pseudo) jornalista, que imerso em seus pensamentos e descoberto pelo leitor-escafandrista, impaciente na descoberta de riquezas de mais algum tesouro esquecido no inenarrável  fluxo de consciência de dois aspirantes a adultos, transmutados em melancólicos vestibulandos que assistem os sofrimentos humanos com a riqueza de detalhes dos que observam a um espetáculo assistido de cima. Protegidos por um sistema desigual, protegidos por um aparato que transparece a sedutora ilusão de liberdade. Como não perceber que participamos do mesmo ficcional teatro de (más)caras?
        Tudo o que esse rascunho de pensamentos pode oferecer. Tudo o que o escapismo do historiador perdido em algum contexto histórico desconhecido pode oferecer se limita a consciência das correntes que nos prendem a caverna. Talvez a importância desse espaço seja simplesmente a reflexão que beira ao absurdo, pois, provavelmente os mais belos poemas não existiriam, se os grandes escritores não ousassem falar do ridículo, ou escrever sobre o incompreensível.               

Edson de Sousa
Pedro Forti
'A ti, que és grande e forte, a pobre fonte
Vem dar-te o que não tens, oh mar, doçura!'

 (Victor Hugo)