domingo, 31 de outubro de 2010

O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NAS URNAS?



O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NAS URNAS?

O aborto ou os 70 bilhões de barris do pré-sal; uns seis trilhões de dólares; o maior impulso industrializante do país desde Vargas? Quais valores estão em jogo, esses, confirmados hoje nos 15 bilhões de barris, só no poço de Libra, ou os da água benta falsa de Serra? Se prevalecer o modelo tucano de exploração, o pré-sal vira remessa de lucros e exportação de óleo bruto nas mãos das petroleiras internacionais. Perde-se seu efeito multiplicador numa cadeia de suprimento industrial da ordem de 55 mil itens, desde plataformas e navios, a válvulas, aço e parafusos. Porém mais que isso, perder-se-ia a chance histórica deste país eliminar a miséria e abrir uma avenida de ampla convergência de oportunidades e direitos para as gerações do presente e do futuro. Qual é a discussão mais relevante? É essa, por isso não sai no Jornal.
(Carta Maior; 31-10)

(Edson de Sousa)

sábado, 30 de outubro de 2010

Pequeno Manifesto

Cansei de ouvir o velho discurso de quem afirma amar unicamente o dinheiro, e nada mais, relegando os demais de sua espécie ao segundo plano. Repletos de sua arrogância esquecem que há seres humanos do outro lado da moeda. Por culpa destes fundamentalistas do capital, é que milhões vivem abaixo da linha da miséria. Por que não há ninguém para pensar por eles, já que os que ganham algum dinheiro que os destaca na sociedade dedicam-se apenas a esse vício, orgulhosos por serem ‘quase ricos’. Quero ver o que farão após a morte, quando o montante que juntaram em vida com tanto apego se esfacelar. Onde está a solidariedade mecânica de Durkheim? Enquanto houver gente que não desça de seu orgulho financeiro, haverá miseráveis no mundo, afinal é disso que vive o capitalismo atual. Não que ele esteja errado, mas nada é bom quando levado tão ao extremo. É preciso que se dose amor ao lucro com algum pingo de humanidade, ou até que ponto chegaremos, onde cada um viverá por si mesmo e por seu dinheiro?

Que não se ligue, porém, o que digo a comunismo, nem o uso do term'manifesto'

(Pedro Forti) , de volta depois de um período de preguiça e manguaça muita contemplação, na busca de um tema bom. Não obteve tanto sucesso...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Retas Paralelas



Simplesmente não posso definir o que é o amor. Se soubesse explicar o que sinto, não a amaria, pois “o amor foge de todas as explicações possíveis”. Simplesmente não posso viver sem o seu amor. Sem você, simplesmente existo. Não me importo em ser um escritor desconhecido, um profissional desqualificado, um filho bastardo, temo simplesmente ter me tornado um amante fracassado. Já chorei por sua ausência, mas o pranto que mais me dói, é saber que “lágrimas não são argumentos”. Suportei a vida sem conforto, o trabalho sem descanso, a escrita sem poesia. Lutei por causas perdidas, critiquei a sociedade de classes, segui aos confins da terra o sonho de liberdade. Sobrevivi. Apenas para construir um jardim, onde nosso amor pudesse florescer. Sobrevivi. Apenas para eternizar nossa paixão. Sobrevivi. Apenas para ouvir sua voz doce, cheia de palavras a mim amargas.                                                  
Não peço que me ame por compaixão. “É inútil obter por piedade aquilo que desejamos por amor.” Peço apenas que não sofra. Que ao ver o meu cadáver frio, saiba que um dia, dentro dele batia um coração ardente, cadenciado pelos seus passos. Desejo a mais pura felicidade a você, a mesma felicidade que usufrui nos momentos a seu lado, e nas agora distantes lembranças se sua face. Chore, grite, brigue, vibre, lute, morra, mas nunca fique sem expressar os seus sentimentos, por mais ridículos e incompreensíveis que possam parecer. Provavelmente os mais belos poemas não existiriam, se os grandes escritores não ousassem falar do ridículo ou escrever sobre o incompreensível.                                                                       
Espero que tenha amigos. Verdadeiros ou não. Valorize os que enxugam as suas lágrimas antes que o reverberar do Sol as seque. Espero que tenha sonhos. Impossíveis ou não. Valorize os mais difíceis, são estes que levam a grandes conquistas. Espero que tenha grandes amores. Duradouros ou não. Pois eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica, ecoando na eternidade. Busque se lembrar de mim. Simples e verdadeiramente. Ao olhar o por do Sol, lembre-se que eu viveria sem a luz do Sol, mas morreria sem o brilho do seu sorriso. Ao ver uma criança, se lembre da inocência juvenil com que conquistei sua amizade. Ao ler um poema de amor, saiba que você foi a musa inspiradora das rimas de minha vida, autora dos versos mais bonitos.                      
Nossos caminhos se desvencilham aqui. Mas assim sempre foi. Nossos destinos são como duas linhas paralelas, que de tão próximas, chegam a bailar num mesmo ritmo. Dançarinos que não ousam se tocar. Retas paralelas. Quem sabe elas não se encontram no infinito?
(Edson de Sousa)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Chorar faz bem

Imagine que as lágrimas são soluções híperconcentradas de sentimentos. Existem dois tipos de lágrima que são mais fáceis de se definir e dizer do que são compostas. O primeiro tipo é muito mais comum do que se imagina, esta lágrima é composta de sentimentos ruins. Junto um pouco de ódio em uma parte do seu coração, adicione ao longo do dia ressentimentos guardados de pessoas que te magoam e as preocupações da sua vida. Misture com um pouco de sofrimento, polvilhe alguns pedaços de angústia e ansiedade. Junte o que já foi preparado e misture com a saudade que você tem dos tempos que não tinha preocupações. Bata tudo no seu coração misturando com os amores que você perdeu e uma pitada de medo. Inconscientemente já foram misturados à suas lágrimas todos as negações que você recebeu e todas as cenas ruins da sua vida. Finalmente suas lágrimas estão prontas, as lágrimas ruins. Você não pode guardar com você essa mistura por muito tempo, ela faz muito mal para sua saúde, seus efeitos nocivos vão desde a agonia passando pelo desespero, chegando ao ódio e podendo até causar depressão! Por isso você tem que colocar isso tudo para fora! Não tenha vergonha, coloque para fora tudo o que te deixa mal, se possível, consiga um ombro amigo e fica melhor ainda para desabafar! Chorar faz bem! Estudos recentes não comprovam nada disso mas eu garanto que se você chorar em um daqueles momentos que te corroem, você melhora!
Agora o outro tipo de lágrima é aquela que vem quando você está alegre, aquela que você chora quando encontra uma pessoa querida, quando você finalmente consegue atingir aquele objetivo que parecia estar tão distante, quando ouve aquela música que te faz lembrar todas as coisas boas da vida, essas lágrimas são as melhores, nos deixam ainda mais leve e tranquilo...
Muitas vezes as lágrimas são vistas como sinal de fraqueza e podem até parecer um leve sinal, mas quando elas vão embora, levam junto tudo aquilo que fazia mal e te angustiava e quando você percebe já está mais forte do que aquele que te chamou de fraco.
Mas tome cuidado, toda terapia deve ser feita com moderação! Por mais que as lágrimas curem algumas feridas, se não forem controladas elas podem abrir outras ainda maiores e piorarem sua situação! Não abuse delas, se estiver muito triste chore umas 3 vezes debaixo do chuveiro, esmurre uma parede, e bola pra frente! Outra observação a ser feita é que o uso das lágrima deve ser acompanhado de bons amigos ao seu lado para de darem todo o apoio necessário, juntamente com as coisas que você gosta de fazer e pronto! Você está curado daquilo que te fez mal e se as causas das suas lágrimas forem a segunda você está fazendo um bem ao compartilhar a felicidade que você sentiu ao ver aquela pessoa e certamente, ela também ficará feliz!
E para finalizar digo novamente, não abuse das lágrimas!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nota de resposta de Leonel de Moura Brizola



Nota de resposta transmitida durante o Jornal Nacional (Organizações Globo), de Leonel de Moura Brizola, político brasileiro lançado ainda por Getúlio Vargas, lutou contra a ditadura militar no Brasil desde seu inicio, sendo por isso exilado e cassados seus direitos políticos no Brasil. Ao retornar exerceu vários cargos públicos, tendo sido a única pessoa a exercer o cargo de governador em dois estados distintos no Brasil (Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro). Sua retórica era inflamada, não perdendo nunca a oportunidade de criar caricaturas verbais de seus oponentes, como ao chamar Lula de "Sapo Barbudo". Era um orador carismático, capaz de provocar reações fortes entre partidários e adversários. Seu discurso era baseado em pontos como a valorização da educação pública (tão divulgada, mas ignorada sistematicamente pelos políticos) e a questão da "perdas internacionais" (pagamento de encargos da dívida externa e envio de lucros ao exterior).

O vídeo é um recado-desabafo direto e inflexível de um dos maiores mitos da esquerda brasileira, sendo que sua influência perdurou por mais de 50 anos no cenário político nacional e internacional. A elite conservadora e temerosa ainda se amedronta quando ouve o nome de um político tão polêmico e cativante quanto o inenarrável Leonel Brizola.

(Edson de Sousa)

domingo, 17 de outubro de 2010

Buscando a verdade

A verdade como ato de liberdade, a verdade como atitude imaculada de enganos e percepções falhas, a verdade como algo universal e necessário, a verdade como conhecimento completo da essência real e profunda dos seres. Concepções distintas de um mesmo conceito. Intuímos que enquanto as opiniões variam de lugar para lugar, de época para época, de sociedade para sociedade, de pessoa para pessoa, a verdade estará escondida em algum recanto desconhecido e ainda inacessível, esperando que a encontremos, intacta e imutável, conhecimento eterno que acreditamos que invariavelmente será posse do intelecto humano.

Essa forma de enxergarmos a realidade nos é legada por um longo processo de construção da identidade humana, na qual o homem se comporta como o ápice da escala evolutiva ou como uma criatura criada à imagem e semelhança de seu criador, procurando em ambas as situações justificar a realidade como algo submisso a nossa vontade, como algo passível de ser entendido, compreendido e modificado pelo ser humano. Essas práticas só são possíveis porque acreditamos que o mundo existe da forma como os nossos sentidos o interpretam, que o mundo é tal como o percebemos e tal como nos ensinaram que ele é. Acreditamos que pode ser modificado ou conservado por nós; que é explicado pelas religiões e pelas ciências e que é representado pelas artes. Acreditamos que somos racionais, pois graças à linguagem, trocamos idéias e opiniões, sendo que a educação e os meios de comunicação garantem a conformidade de pensamentos muito semelhantes entre si.

É com essa visão restrita e limitada que buscamos a verdade. Esquecemos que os homens não evitam tanto ser enganados, evitando apenas serem prejudicados por esse engano. É num sentido semelhante e menos amplo que buscamos a verdade: ambicionamos as agradáveis conseqüências da verdade que conservam a vida; sendo indiferentes ao conhecimento puro, sem conseqüências, sentenciando até mesmo de modo hostil ás verdades talvez prejudiciais e hostis a nós.

Quantos filósofos, quantos juristas, quantos críticos, quantos descrentes, quantos céticos, quantos pensadores, quantos gênios nós não nos levantamos contra por propagarem e divulgarem verdades inconvenientes? Quantos dogmas, quantos preconceitos, quantas idéias preconcebidas aceitamos apenas para nos proteger das novidades, do inesperado, do desconhecido e de tudo que possa desequilibrar as nossas crenças e opiniões já constituídas? Até quando aceitaremos essas idéias que restringem o enorme potencial criativo e inovador do ser humano? Até quando nos vergaremos aos velhos dogmas e ao conservadorismo retrógado e elitista que nos impendem de novas descobertas, de novos pensamentos, de novos costumes, de novas idéias, apenas porque essas novas atitudes põem em perigo o já sabido, o já dito e o já feito? Até quando nossa espécie aceitará essa posição humilhante e tão contrária a sua natureza?

(Edson de Sousa)

A sopa de Marx

Sem ofensas ao grande pensador...
Afinal, qual seria o sentido de um sistema sem algo pra contestá-lo?

sábado, 16 de outubro de 2010

Soneto de Infelicidade

De tudo ao meu amor fui eu atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Porém, morto com isso o encanto
Pois para ela, só aborrecimento

Vivi-o intenso a cada vão momento
Mas com isso, o amor nela suplanto
Foi-se embora, e derramei meu pranto
Por que ninguém inventa amor num momento
E assim, rezo pra que ainda me procure
Para que de meus afagos eu te prive
Quem sabe assim reacendo a chama

Direi então assim dos amores (que quase tive) :
Que todos se foram, hoje é só cama
Perderam se no infinito, e que assim dure

(Anônimo)

Indicador de desemprego

As pessoas acreditam que o indicador de desemprego é influente, imagina quando descobrirem o poder da palavra escrita pelo indicador.

(Edson de Sousa)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Amanhã vai ser outro dia!


Não são os homens, mas as idéias que brigam
Debates acirrados, disputas partidárias, comícios, passeatas, críticas caluniosas, alianças esdrúxulas e propagandas tendenciosas. Muitas vezes ficamos tão aficionados pela velha rixa de antigos desafetos políticos, anestesiados pela sutil propaganda usada por partidos antagônicos, que não percebemos a inexistência de propostas políticas coerentes e originais dos candidatos. Influenciados e manipulados por uma mídia que padroniza comportamentos e idéias, quase não se discute a ausência de propostas inovadoras no discurso eleitoral, quase não se discute a inexistência de partidos com uma base ideológico-partidária clara e distinta, evidência flagrante da tentativa de legendas que tentam apenas angariar votos do eleitor indeciso ou desinformado.
A renovação de idéias, de propostas e de crenças é fator necessário e indispensável a um sistema democrático. Mas na medida em que partidos e candidatos tornam-se cada vez mais similares o eleitor não consegue discernir projetos políticos interessantes para o país. Legendas que a todo instante mudam sua base ideológica, legendas que a cada novo processo eleitoral fazem alianças com inimigos históricos, partidos que não passam de um aglomerado de idéias difusas e retrógadas não podem mais ser aceitos no cenário político brasileiro. Não importa se o eleitor vota em um candidato de esquerda ou de direita, num radical marxista ou em um democrata cristão. Importando apenas que o cidadão ao exercer o seu voto consiga perceber as nuances de cada projeto, claramente delineados e definidos por candidatos e partidos.
Questões como o aborto, a união civil entre conjugues de mesmo sexo, a adoção de crianças por casais de parceiros de mesmo sexo, a permanência do sistema de cotas, o aprofundamento da reforma agrária, a transposição do rio São Francisco, a revisão e a ampliação de programas sociais como o bolsa família e o Prouni, as controvertidas privatizações e as reformas do sistema tributário, político, financeiro e educacional, além do combate as carestias do nordeste e a devastação do bioma amazônico, o desemprego estrutural causado pela intensa mecanização do campo e conseqüente inchaço das metrópoles, a política internacional e a intensificação do combate a extrema desigualdade existente no Brasil são temas quase inexplorados por partidos e candidatos. Infere-se daí duas atitudes que não mais podem ser desconsideradas pela população brasileira, ou os estadistas não possuem interesse por esses temas, e estão pleiteando cargos públicos apenas por motivações pessoais escusas, ou não possuem a capacidade conciliatória necessária para discorrer sobre temas controvertidos, não possuindo as qualidades necessárias para exercerem os cargos a que postulam.
A discussão à cerca de temas polêmicos e a delimitação de posicionamentos ideológicos claros e definidos, são uma evidência indiscutível de fortalecimento e consolidação de um sistema democrático que infelizmente ainda não é comumente utilizado no ambiente político brasileiro.
"Um político pensa na próxima eleição; um estadista, na próxima geração."
(James Clarke)

(Edson de Sousa)

Ausência


Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Ocultação de cadáver


Seja um idiota

A idiotice é vital para a felicidade.

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins.

No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.

Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto.

Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo,soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça?

hahahahahahahahaha!...

Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?

É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí,o que elas farão se já não têm por que se desesperar?

Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.

Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.

Dura, densa, e bem ruim.

Brincar é legal. Entendeu?

Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço,não tomar chuva.

Pule corda!

Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte.

Ser adulto não é perder os prazeres da vida - e esse é o único "não" realmente aceitável.

Teste a teoria. Uma semaninha, para começar.

Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são:
passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir...

Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração!

Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore,dance e viva intensamente antes que a cortina se feche!


Arnaldo Jabor

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Não se pode equacionar o sofrimento humano

Da mesma forma que não vejo sentido em enaltecer meros graduados que escondem suas muitas inseguranças por detrás de um frígido diploma empoeirado, não acredito em legisladores que adotam programas governamentais baseados exclusivamente em números raquíticos, resguardados por gráficos e tabelas insensíveis que distanciam os representantes políticos da real situação vivida pela população.
Causa primordial do descaso do poder público, a distância que se interpõem entre os vários níveis da sociedade acaba gerando aberrações como o surgimento de representantes políticos que se esquecem que a meta de qualquer governo é garantir a felicidade do povo. Direitos como o acesso a saúde, educação, moradia, transporte e segurança funcionam apenas como expressão de garantias legais que evidenciam a existência de uma sociedade saudável e próspera.
Grandes líderes ao longo da história, independente da ideologia defendida, sempre defenderam reformas que vão muito além da melhora de impessoais indicadores sócio-econômicos. Não se pode equacionar o sofrimento humano. A morte de milhares de pessoas não pode ser visto apenas como uma estatística. Miséria, fome, inanição, desemprego e exclusão são realidades muito duras para serem balanceadas e analisadas por meros economistas. Situa-se ai a diferença do grande estadista. A tragédia individual ou a catástrofe coletiva o emocionam profundamente. Sensibiliza-se não como o cientista que disseca a um cadáver, relacionando-se com a população mais como o obstetra que vê surgir gradativamente uma nova vida, a sociedade como extensão de um ser vivo em constante transformação. Rascunho mal-feito em permanente processo de revisão.

(Edson de Sousa)

sábado, 9 de outubro de 2010

Desmistificando a mídia


Quantitativamente a real participação da mídia na formação de opinião ainda é um dado intangível e de difícil previsão. Não se sabe ao certo o quanto os meios de comunicação influenciam na formação de uma consciência coletiva de determinada população. Como reflexo dos anseios da sociedade ou como veiculo manipulador de informação, o tema ainda permanece obscurecido por diversas correntes de pensamento difusas e antagônicas.
Fugindo de aprofundamentos teóricos desnecessários existem basicamente duas correntes que abordam a mídia como tema de estudo. Os que criticam, criaram a nomenclatura de “industria cultural”, pois segundo essa corrente os meios de comunicação de massa (MCM) atuam sobre o inconsciente do público reduzindo os telespectadores a formas de comportamento sujeitas ao conformismo e à dominação, contribuindo para a formação de indivíduos consumistas e tipicamente alienados. Enquanto que os favoráveis expõem o potencial formativo dos MCM, ao divulgar informações e incentivar a difusão de conhecimento, assumindo, assim, um importante papel na formação cultural do público.
 Diante da visão pessimista e nostálgica apresentada acima, Umberto Eco (1979) desenvolve uma teoria paralela que expõe as visões dos críticos da indústria cultural (denominados por ele como “apocalípticos”) e dos defensores dos meios de massa (chamados de “integrados”). Para Eco, os meios de comunicação de massa não são bons ou maus em si, suas conseqüências dependem dos usos que são dados pela sociedade.
No entanto várias teorias convergem no fato de que a mídia ao se tornar uma propriedade privada - controlada por uma elite restrita -, passa a ter o seu compromisso com a divulgação de informação de qualidade e de forma imparcial comprometida. As bases da atividade jornalística passam a ter  seus alicerces deteriorados pela busca incessante pelo lucro, derrubando governos, criando ídolos e ratificando costumes e maneiras padronizadas de se interpretar a realidade .
            Não tornar-se um público passivo e conformista é talvez um dos maiores desafios de nossa geração, vulnerável as técnicas de marketing e propaganda cada vez mais avançadas e sutis. Torna-se quase uma missão histórica a tomada de consciência da exploração e da manipulação que muitas vezes a população se vê sujeitada.

"Um povo ignorante é o instrumento cego de sua própria destruição". (Simon Bolívar)

(Edson de Sousa)

Liberdade de pensamento?


Já não é hora de nos libertarmos de nossos tão familiares (Pré)conceitos?

(Edson de Sousa)

Poeminha para refletir...

ilusões


suor e sangue
que escorrem do rosto da miserável
mais uma
vez no sertão

mas ela não chora mais

porque sabe que a feli
cidade cabe dentro
da bolsa

porque sabe que a copa
vem logo pro Brasil
assim como no tricampeonato

porque seu novo candidato ao
governo lhe prometeu
uma casa nova

''Meu Deus, eu não mereço tanta felicidade"

(Pedro Forti)


Ideias para entendimento (atendendo a pedidos) :
Tentei relacionar esse poema às políticas de auxílio do governo Lula, que maquiam a verdadeira realidade de sofrimento da faixa de população miserável, em especial a nordestina.
Ao colocar o miserável como feminino, destaco que o sofrimento não se limita apenas ao trabalhador braçal, e sim a todos que se encontram naquela situação
Usei-o também para criar o jogo ''miserável - mais uma'' , dando uma noção da quantidade de pessoas que se encontram na miséria
A partir daí, enumerei as maquilagens que proporcionam ao governo sua grande aceitação:
Bolsa Família - Uma mesada sem nenhum controle, tida como a tábua de salvação pelo governo e utilizada no convencimento da população de que o governo se empenha em melhorar a situação dos miseráveis, quando na verdade apenas quer ''comprar a felicidade'' ou ''as cidades'' (por isso da palavra separada ao meio)
Copa do Mundo - Usada para destacar a ideia de grandeza do país, criada pelo governo, atrelando ao mesmo processo desempenhado pela ditadura militar durante o governo Médici, onde o tricampeonato e a conquista da Taça Jules Rimet em definitivo para o Brasil em 1970 foram utilizados para o mesmo fim. A charge de Ziraldo ratifica a minha ideia:


E por fim, o jogo político notável nessas eleições onde o melhor candidato é aquele que promete benefícios aos mais carentes em troca de votos, muito embora esses benefícios dificilmente serão recebidos por eles.
A frase final sintetiza a ilusão dos mais pobres: Que são felizes, pois o governo assim proporcionou.
Ledo engano.


Fica a reflexão... Bom feriado de semana a todos!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Chispas Literárias

Valsa Triste

De repente, os próximos se fizeram distantes.
“O tempo passa, e o conto da vida se acaba, sem nós nos darmos conta.”
Amantes transformados em movimento descompassado,
Ouvintes decepcionados com a canção incapaz de emocioná-los.
Enquanto a melodia não for sigilo, o espetáculo do infinito amor continua.
Enquanto o ritmo não sabotar o dançarino, a Valsa Triste continua.

(Edson de Sousa)

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo. 

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão. 

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira. 

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta. 

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente. 

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem. 

Traduzir uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?


Ferreira Gullar

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A (des)evolução humana, na voz de Pearl Jam

Estava eu, um belo dia, no meu ócio produtivo. Entorpecendo minha mente com algumas músicas na televisão quando me deparo com um turbilhão de imagens e signos acompanhados de uma profusão de vozes, que tentavam passar-me várias lições. Lições sobre o caminho que a humanidade trilhou e vem trilhando, na sua desevolução financiada, como sempre, pelo setor controlador. Termina com um emblemático ''2010, veja pegando fogo'', 12 anos antes do ano presente (1998), fazendo múltiplas previsões numa emblemática frase.
Se Marx estivesse vivo e tivesse contato com o video, talvez diria: ''hoje, a sociedade é o ópio dos povos'' , onde sociedade e povo assumem significados distintos, pois não são conjuntos simétricos. Deixe que o video lhe proporcione tirar suas próprias conclusões. Abaixo dele, estão a letra e sua tradução.
video
Do The Evolution (Versão original em inglês)
I'm ahead, i'm the man
I'm the first mammal to wear pants, yeah
I'm at peace with my lust
I can kill 'cause in god i trust, yeah
it's evolution, baby

I'm a beast, I'm the man
having stocks on the day of the crash, yeah
on the loose, I'm a truck
all the rolling hills I'll flatten them out, yeah
it's herd behavior, uh huh
it's evolution, baby

Admire me, admire my home
admire my son, he's my clone
yeah, yeah, yeah, yeah
this land is mine, this land is free
I'll live how I want yet irresponsibly
it's evolution, baby

I'm a thief, I'm a liar
there's my church
I sing in the choir:
hallelujah, hallelujah

Admire me, admire my home
admire my song, admire my clothes
'Cause we know appetite for a nightly feast
those ignorant indians got nothing on me
nothing, why?
because, it's evolution, baby!

I am ahead, I am advanced
I am the first mammal to make plans, yeah
I crawled the Earth, but now I'm higher
twenty-ten, watch it go to fire
it's evolution, baby
it's evolution baby
do the evolution
come on
come on, come on... (até o fim)

Faça a evolução (versão traduzida para o Português)

Eu estou à frente, eu sou o homem
Eu sou o primeiro mamífero a vestir calças, yeah
Eu estou em paz com minha luxúria
Eu posso matar porque em Deus eu confio, yeah
Isto é evolução, baby

Eu sou uma besta, eu sou o homem
Tinha ações no dia em que a Bolsa quebrou, yeah
Livre, eu sou um caminhão
Todas as colinas rolantes eu as aplanarei, yeah
É um comportamento em rebanho Uh-huh
Isto é evolução, baby

Me admire, admire minha casa
Admire meu filho, ele é meu clone
yeah, yeah, yeah, yeah
Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu farei o que quiser embora irresponsavelmente
Isto é evolução, baby

Eu sou um ladrão, eu sou um mentiroso
Aqui é minha igreja
eu canto no coro (interlúdio do coro: Aleluia)
Aleluia, aleluia

Me admire, admire minha casa
Admire minha canção, admire minhas roupas
Pois nós conhecemos o apetite para um banquete noturno,
A esses índios ignorantes não devo nada,
Nada, Por quê?
Porque: isto é evolução, baby!

Eu estou à frente, eu sou desenvolvido
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos
Eu rastejei na terra, agora voo pelos céus
2010, veja pegando fogo!
isto é evolução, baby {2x}
Faça a evolução
Vamos, vamos, vamos...


Algo a concluir?

Pedro Forti


Discussão política


Discutir política no Brasil sempre é complicado...

(Edson de Sousa)

Ideias Avulsas (Prefácio)

"Se procurar bem você acaba encontrando... Não a explicação (duvidosa), mas a poesia (inexplicável) da vida."
(C. D. de Andrade)

        Sons, ritmos, significados. Músicas sussurradas ao ouvido do surdo, versos expostos aos olhos do cego. Tudo unido e misturado, saturado e amplificado pela audácia de um (pseudo) jornalista, que imerso em seus pensamentos e descoberto pelo leitor-escafandrista, impaciente na descoberta de riquezas de mais algum tesouro esquecido no inenarrável  fluxo de consciência de dois aspirantes a adultos, transmutados em melancólicos vestibulandos que assistem os sofrimentos humanos com a riqueza de detalhes dos que observam a um espetáculo assistido de cima. Protegidos por um sistema desigual, protegidos por um aparato que transparece a sedutora ilusão de liberdade. Como não perceber que participamos do mesmo ficcional teatro de (más)caras?
        Tudo o que esse rascunho de pensamentos pode oferecer. Tudo o que o escapismo do historiador perdido em algum contexto histórico desconhecido pode oferecer se limita a consciência das correntes que nos prendem a caverna. Talvez a importância desse espaço seja simplesmente a reflexão que beira ao absurdo, pois, provavelmente os mais belos poemas não existiriam, se os grandes escritores não ousassem falar do ridículo, ou escrever sobre o incompreensível.               

Edson de Sousa
Pedro Forti
'A ti, que és grande e forte, a pobre fonte
Vem dar-te o que não tens, oh mar, doçura!'

 (Victor Hugo)