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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desabafo de um estudante brasileiro

Escrevo sobre esse ignóbil tema muito mais como um estudante louco para desabafar sobre o sistema de ensino que o rege do que um pseudo-entendido no assunto. Chorar o sistema que força os jovens brasileiros a optar entre uma educação particular massacrante e cara, pautada no nome da instituição de ensino, à frente do interesse de qualquer aluno e a ridícula educação pública, de seus professores mal-remunerados, escolas caindo aos pedaços e desprezo total aos alunos (coitadas das pobres mentes brilhantes que ainda se arriscam a nascer nesse tipo de campo).

E por que estamos assim? Porque nosso governo prefere pagar mensalidades para manter os alunos na rede pública de ensino, mas não se preocupa com o tipo de escolas que eles encontrarão. Ah, mas educar é formar opinião crítica, maior temor de políticos que almejam se manter no poder. É preferível manter a população brasileira não como povo, mas como público dos desmandos dos chefões, assistindo bestializados à volta de nomes como Antonio Palocci, Renan Calheiros, José Sarney, Paulo Maluf, dentre outros.

Mas de vez em quando o governo resolve parecer competente e ativo, então lança uma ideia para tentar maquiar a falta de investimentos na educação pública, fazendo uma prova que lhes faça sentir melhor frente aos demais alunos. Mas como vivemos num país onde uma mesada é mais importante que um ensino de qualidade, só poderia dar errado. Eis que após tanta expectativa e propaganda do governo, o exame é cancelado. Se vai voltar ou não, pouco importa, a bagunça está feita e não é uma prova, ainda que valha a entrada em certas faculdades, vai resolver de uma hora pra outra. O senhor Sarney não deve gostar da ideia de ver, do alto de sua cadeira de presidente do senado, o povo criar opinião, portanto é melhor maquiar esse problema com uma prova que não cria opiniões. Afinal, feijão tropeiro, 'monabean' e pilhas de níquel são bem instrutivos...

Enquanto não houverem investimentos na educação brasileira, com melhorias na educação pública e nos processos seletivos, continuaremos a ser massa de manobra. Os estudantes, outrora o motor da nação, viraram meros espectadores na mão dos interesses políticos.

(Pedro Forti, assumindo os riscos das futuras críticas a receber)