domingo, 31 de outubro de 2010

O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NAS URNAS?



O QUE ESTÁ EM JOGO HOJE NAS URNAS?

O aborto ou os 70 bilhões de barris do pré-sal; uns seis trilhões de dólares; o maior impulso industrializante do país desde Vargas? Quais valores estão em jogo, esses, confirmados hoje nos 15 bilhões de barris, só no poço de Libra, ou os da água benta falsa de Serra? Se prevalecer o modelo tucano de exploração, o pré-sal vira remessa de lucros e exportação de óleo bruto nas mãos das petroleiras internacionais. Perde-se seu efeito multiplicador numa cadeia de suprimento industrial da ordem de 55 mil itens, desde plataformas e navios, a válvulas, aço e parafusos. Porém mais que isso, perder-se-ia a chance histórica deste país eliminar a miséria e abrir uma avenida de ampla convergência de oportunidades e direitos para as gerações do presente e do futuro. Qual é a discussão mais relevante? É essa, por isso não sai no Jornal.
(Carta Maior; 31-10)

(Edson de Sousa)

sábado, 30 de outubro de 2010

Pequeno Manifesto

Cansei de ouvir o velho discurso de quem afirma amar unicamente o dinheiro, e nada mais, relegando os demais de sua espécie ao segundo plano. Repletos de sua arrogância esquecem que há seres humanos do outro lado da moeda. Por culpa destes fundamentalistas do capital, é que milhões vivem abaixo da linha da miséria. Por que não há ninguém para pensar por eles, já que os que ganham algum dinheiro que os destaca na sociedade dedicam-se apenas a esse vício, orgulhosos por serem ‘quase ricos’. Quero ver o que farão após a morte, quando o montante que juntaram em vida com tanto apego se esfacelar. Onde está a solidariedade mecânica de Durkheim? Enquanto houver gente que não desça de seu orgulho financeiro, haverá miseráveis no mundo, afinal é disso que vive o capitalismo atual. Não que ele esteja errado, mas nada é bom quando levado tão ao extremo. É preciso que se dose amor ao lucro com algum pingo de humanidade, ou até que ponto chegaremos, onde cada um viverá por si mesmo e por seu dinheiro?

Que não se ligue, porém, o que digo a comunismo, nem o uso do term'manifesto'

(Pedro Forti) , de volta depois de um período de preguiça e manguaça muita contemplação, na busca de um tema bom. Não obteve tanto sucesso...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Retas Paralelas



Simplesmente não posso definir o que é o amor. Se soubesse explicar o que sinto, não a amaria, pois “o amor foge de todas as explicações possíveis”. Simplesmente não posso viver sem o seu amor. Sem você, simplesmente existo. Não me importo em ser um escritor desconhecido, um profissional desqualificado, um filho bastardo, temo simplesmente ter me tornado um amante fracassado. Já chorei por sua ausência, mas o pranto que mais me dói, é saber que “lágrimas não são argumentos”. Suportei a vida sem conforto, o trabalho sem descanso, a escrita sem poesia. Lutei por causas perdidas, critiquei a sociedade de classes, segui aos confins da terra o sonho de liberdade. Sobrevivi. Apenas para construir um jardim, onde nosso amor pudesse florescer. Sobrevivi. Apenas para eternizar nossa paixão. Sobrevivi. Apenas para ouvir sua voz doce, cheia de palavras a mim amargas.                                                  
Não peço que me ame por compaixão. “É inútil obter por piedade aquilo que desejamos por amor.” Peço apenas que não sofra. Que ao ver o meu cadáver frio, saiba que um dia, dentro dele batia um coração ardente, cadenciado pelos seus passos. Desejo a mais pura felicidade a você, a mesma felicidade que usufrui nos momentos a seu lado, e nas agora distantes lembranças se sua face. Chore, grite, brigue, vibre, lute, morra, mas nunca fique sem expressar os seus sentimentos, por mais ridículos e incompreensíveis que possam parecer. Provavelmente os mais belos poemas não existiriam, se os grandes escritores não ousassem falar do ridículo ou escrever sobre o incompreensível.                                                                       
Espero que tenha amigos. Verdadeiros ou não. Valorize os que enxugam as suas lágrimas antes que o reverberar do Sol as seque. Espero que tenha sonhos. Impossíveis ou não. Valorize os mais difíceis, são estes que levam a grandes conquistas. Espero que tenha grandes amores. Duradouros ou não. Pois eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que se petrifica, ecoando na eternidade. Busque se lembrar de mim. Simples e verdadeiramente. Ao olhar o por do Sol, lembre-se que eu viveria sem a luz do Sol, mas morreria sem o brilho do seu sorriso. Ao ver uma criança, se lembre da inocência juvenil com que conquistei sua amizade. Ao ler um poema de amor, saiba que você foi a musa inspiradora das rimas de minha vida, autora dos versos mais bonitos.                      
Nossos caminhos se desvencilham aqui. Mas assim sempre foi. Nossos destinos são como duas linhas paralelas, que de tão próximas, chegam a bailar num mesmo ritmo. Dançarinos que não ousam se tocar. Retas paralelas. Quem sabe elas não se encontram no infinito?
(Edson de Sousa)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Chorar faz bem

Imagine que as lágrimas são soluções híperconcentradas de sentimentos. Existem dois tipos de lágrima que são mais fáceis de se definir e dizer do que são compostas. O primeiro tipo é muito mais comum do que se imagina, esta lágrima é composta de sentimentos ruins. Junto um pouco de ódio em uma parte do seu coração, adicione ao longo do dia ressentimentos guardados de pessoas que te magoam e as preocupações da sua vida. Misture com um pouco de sofrimento, polvilhe alguns pedaços de angústia e ansiedade. Junte o que já foi preparado e misture com a saudade que você tem dos tempos que não tinha preocupações. Bata tudo no seu coração misturando com os amores que você perdeu e uma pitada de medo. Inconscientemente já foram misturados à suas lágrimas todos as negações que você recebeu e todas as cenas ruins da sua vida. Finalmente suas lágrimas estão prontas, as lágrimas ruins. Você não pode guardar com você essa mistura por muito tempo, ela faz muito mal para sua saúde, seus efeitos nocivos vão desde a agonia passando pelo desespero, chegando ao ódio e podendo até causar depressão! Por isso você tem que colocar isso tudo para fora! Não tenha vergonha, coloque para fora tudo o que te deixa mal, se possível, consiga um ombro amigo e fica melhor ainda para desabafar! Chorar faz bem! Estudos recentes não comprovam nada disso mas eu garanto que se você chorar em um daqueles momentos que te corroem, você melhora!
Agora o outro tipo de lágrima é aquela que vem quando você está alegre, aquela que você chora quando encontra uma pessoa querida, quando você finalmente consegue atingir aquele objetivo que parecia estar tão distante, quando ouve aquela música que te faz lembrar todas as coisas boas da vida, essas lágrimas são as melhores, nos deixam ainda mais leve e tranquilo...
Muitas vezes as lágrimas são vistas como sinal de fraqueza e podem até parecer um leve sinal, mas quando elas vão embora, levam junto tudo aquilo que fazia mal e te angustiava e quando você percebe já está mais forte do que aquele que te chamou de fraco.
Mas tome cuidado, toda terapia deve ser feita com moderação! Por mais que as lágrimas curem algumas feridas, se não forem controladas elas podem abrir outras ainda maiores e piorarem sua situação! Não abuse delas, se estiver muito triste chore umas 3 vezes debaixo do chuveiro, esmurre uma parede, e bola pra frente! Outra observação a ser feita é que o uso das lágrima deve ser acompanhado de bons amigos ao seu lado para de darem todo o apoio necessário, juntamente com as coisas que você gosta de fazer e pronto! Você está curado daquilo que te fez mal e se as causas das suas lágrimas forem a segunda você está fazendo um bem ao compartilhar a felicidade que você sentiu ao ver aquela pessoa e certamente, ela também ficará feliz!
E para finalizar digo novamente, não abuse das lágrimas!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Nota de resposta de Leonel de Moura Brizola



Nota de resposta transmitida durante o Jornal Nacional (Organizações Globo), de Leonel de Moura Brizola, político brasileiro lançado ainda por Getúlio Vargas, lutou contra a ditadura militar no Brasil desde seu inicio, sendo por isso exilado e cassados seus direitos políticos no Brasil. Ao retornar exerceu vários cargos públicos, tendo sido a única pessoa a exercer o cargo de governador em dois estados distintos no Brasil (Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro). Sua retórica era inflamada, não perdendo nunca a oportunidade de criar caricaturas verbais de seus oponentes, como ao chamar Lula de "Sapo Barbudo". Era um orador carismático, capaz de provocar reações fortes entre partidários e adversários. Seu discurso era baseado em pontos como a valorização da educação pública (tão divulgada, mas ignorada sistematicamente pelos políticos) e a questão da "perdas internacionais" (pagamento de encargos da dívida externa e envio de lucros ao exterior).

O vídeo é um recado-desabafo direto e inflexível de um dos maiores mitos da esquerda brasileira, sendo que sua influência perdurou por mais de 50 anos no cenário político nacional e internacional. A elite conservadora e temerosa ainda se amedronta quando ouve o nome de um político tão polêmico e cativante quanto o inenarrável Leonel Brizola.

(Edson de Sousa)

domingo, 17 de outubro de 2010

Buscando a verdade

A verdade como ato de liberdade, a verdade como atitude imaculada de enganos e percepções falhas, a verdade como algo universal e necessário, a verdade como conhecimento completo da essência real e profunda dos seres. Concepções distintas de um mesmo conceito. Intuímos que enquanto as opiniões variam de lugar para lugar, de época para época, de sociedade para sociedade, de pessoa para pessoa, a verdade estará escondida em algum recanto desconhecido e ainda inacessível, esperando que a encontremos, intacta e imutável, conhecimento eterno que acreditamos que invariavelmente será posse do intelecto humano.

Essa forma de enxergarmos a realidade nos é legada por um longo processo de construção da identidade humana, na qual o homem se comporta como o ápice da escala evolutiva ou como uma criatura criada à imagem e semelhança de seu criador, procurando em ambas as situações justificar a realidade como algo submisso a nossa vontade, como algo passível de ser entendido, compreendido e modificado pelo ser humano. Essas práticas só são possíveis porque acreditamos que o mundo existe da forma como os nossos sentidos o interpretam, que o mundo é tal como o percebemos e tal como nos ensinaram que ele é. Acreditamos que pode ser modificado ou conservado por nós; que é explicado pelas religiões e pelas ciências e que é representado pelas artes. Acreditamos que somos racionais, pois graças à linguagem, trocamos idéias e opiniões, sendo que a educação e os meios de comunicação garantem a conformidade de pensamentos muito semelhantes entre si.

É com essa visão restrita e limitada que buscamos a verdade. Esquecemos que os homens não evitam tanto ser enganados, evitando apenas serem prejudicados por esse engano. É num sentido semelhante e menos amplo que buscamos a verdade: ambicionamos as agradáveis conseqüências da verdade que conservam a vida; sendo indiferentes ao conhecimento puro, sem conseqüências, sentenciando até mesmo de modo hostil ás verdades talvez prejudiciais e hostis a nós.

Quantos filósofos, quantos juristas, quantos críticos, quantos descrentes, quantos céticos, quantos pensadores, quantos gênios nós não nos levantamos contra por propagarem e divulgarem verdades inconvenientes? Quantos dogmas, quantos preconceitos, quantas idéias preconcebidas aceitamos apenas para nos proteger das novidades, do inesperado, do desconhecido e de tudo que possa desequilibrar as nossas crenças e opiniões já constituídas? Até quando aceitaremos essas idéias que restringem o enorme potencial criativo e inovador do ser humano? Até quando nos vergaremos aos velhos dogmas e ao conservadorismo retrógado e elitista que nos impendem de novas descobertas, de novos pensamentos, de novos costumes, de novas idéias, apenas porque essas novas atitudes põem em perigo o já sabido, o já dito e o já feito? Até quando nossa espécie aceitará essa posição humilhante e tão contrária a sua natureza?

(Edson de Sousa)

A sopa de Marx

Sem ofensas ao grande pensador...
Afinal, qual seria o sentido de um sistema sem algo pra contestá-lo?